Na Fiesp, presidente da Câmara Brasil- China critica juros altos

 

Na Fiesp, presidente da Câmara Brasil-
China critica juros altos

* Matéria fornecida pela Fiesp.


 Charles Tang participou de reunião do Consic em que foi apresentada também oportunidade para empresas paulistas na construção do supertelescópio GMT.
 
Charles Andrew Tang, presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil-China (CCIBC), participou de reunião do Conselho Superior da Indústria da Construção da Fiesp (Consic) nesta terça-feira (8 de agosto). José Carlos de Oliveira Lima, presidente do Consic, conduziu o evento, que teve também apresentação do projeto GMT, um supertelescópio no Chile que busca a participação de indústrias paulistas em sua construção.
Tang criticou os juros altos e os obstáculos ao crescimento econômico brasileiro. “Os juros brasileiros não são civilizados”, afirmou. Tang elogiou a aprovação da reforma trabalhista e disse que se forem também realizadas a da Previdência e a fiscal estarão cortadas as amarras que impedem o crescimento do Brasil.
Na avaliação do presidente da CCIBC, “o empresário brasileiro é um herói nacional. Apanha de todo lado para ter o direito de gerar empregos”. Em sua opinião, se não houver uma verdadeira política industrial o país não vai crescer. “Não podemos continuar sucateando a indústria”, defendeu. É preciso dar condições aos empresários para competir, disse.
Comparou o desenvolvimento do Brasil e da China, afirmando que a diferença de visões de prioridades econômicas entre os países permitiu à China sair de um quinto para nove vezes o tamanho da economia brasileira.
Por que a China cresceu tanto, e o Brasil não, se era muito mais rico? Seu país é um dos mais capitalistas do mundo, disse. Saiu da ideologia de Mao Tsé Tung para o pragmatismo de Deng Xiaoping, com a China fazendo tudo para crescer. No Brasil, a prioridade, em sua avaliação, nunca foi a prosperidade – sempre foi a estabilidade monetária. O Brasil, afirmou, continua persistindo no erro de quebrar periodicamente as empresas ao praticar juros altos. “Nunca permitimos no Brasil o crescimento. Cada vez que se ensaia um crescimento as taxas de juros são aumentadas, em nome da estabilidade monetária.”
O Brasil é muito fácil de mudar, disse. Dos 7 países em que morou, o Brasil tem o povo mais patriota e disciplinado, capaz de fazer sacrifícios em nome do sonho de um país melhor. Falta basicamente um plano econômico voltado ao crescimento, afirmou. A China, explicou, teve uma visão econômica.
 
 
Investimentos 
 
 
A China, destacou Tang, já investiu muito no Brasil. As empresas gostam de começar aqui em projetos não muito grandes e depois ampliam os investimentos, explicou. Nos últimos 2 anos e meio, a China State Grid e a China Three Gorges, do setor de energia, investiram mais de R$ 20 bilhões. No petróleo, a Sinopec já investiu US$ 15 bilhões em ativos brasileiros. “Não é só num ramo de atividade, como energia. E há mais 6 gigantes desse setor vindo para o Brasil.” Vai vir muito mais investimento para energia, afirmou. E para ferrovias também.
Segundo Tang, a China é único país que reúne a disponibilidade financeira com a disposição de investir no risco Brasi. Há uma visão de longo prazo no país, e isso é uma grande chance para o Brasil. A vinda de mais investimentos, que vai acontecer, dará alento a construtoras e empreiteiras, disse.
As empresas e os empregos são patrimônio da sociedade, e não somente de seus proprietários, defendeu. “Na China, mais de 100.000 dirigentes estão presos por corrupção, mas nenhuma empresa foi fechada por isso.”
Essa diferente visão permitiu à China sair de um quinto para nove vezes o tamanho da economia brasileira. A China investe ao redor do mundo para ter lucro e expandir suas multinacionais e também para ter acesso aos produtos de que precisa para seu
crescimento estratégico e garantir a segurança alimentar de sua população. E há também certa disputa geopolítica internacional. “O quintal norte-americano, América Latina e Caribe, está plantando um jardim chinês”, afirmou. E na África o investimento chinês em infraestrutura deu esperança ao continente, disse. Também investe porque tem excesso de capacidade em quase tudo. Ou fecha fábricas ou exporta – e ganha.
Sua visão nos negócios é de ganha-ganha. Cria infraestrutura enquanto vende seus produtos. Há, afirmou, uma transformação da liderança e da governança global. A China ganha papel de liderança, em parte por seu protagonismo e em parte pela retração dos EUA. O país tem a visão de que a prosperidade de seus parceiros trará prosperidade também à China.
Nenhum empresário, nenhum executivo graduado pode se dar ao luxo de não saber tudo que a China oferece, disse. E o melhor lugar para saber o que há é a Feira de Cantão, afirmou. Lembrou feira organizada pela Fiesp para lá, em 2005, que permitiu o fechamento de negócios lucrativos.
Oliveira Lima explicou a Tang a estrutura e funcionamento do Consic e disse que foi brilhante a palestra do presidente da CCIBC. Ressaltou que em 2005 o grupo resolveu apresentar uma forma de desenvolvimento do país ao futuro presidente, para isso contratando a Fundação Getúlio Vargas, para discutir o fomento do setor de construção e infraestrutura, com o objetivo de melhorar o IDH do Brasil, com investimentos em habitação e saneamento, o que resultou no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Depois foi feito outro projeto, o Minha Casa Minha Vida, por entender que a habitação leva ao desenvolvimento em geral.
Perguntou no que erramos. Tang disse que é a visão econômica errada. Enquanto persistirmos nessa visão de matar o crescimento com juros altos, o problema vai persistir, afirmou.
 
Competitividade
 
Manuel Carlos Rossitto, integrante do Consic, listou avanços do grupo Competitividade na Indústria da Construção, que coordena. Destacou a importância da participação dos conselheiros na definição de palestrantes para as reuniões do Consic.
Explicou que depois das reuniões mensais, é feita uma síntese do currículo do palestrante, com fotos do palestrante e do evento, divulgação do evento nos sites da Fiesp e resumo das palestras evidenciando seu teor, separando o que é político do que é técnico setorial.
Rossitto comentou a palestra da reunião anterior, feita pelo senador da Itália Fausto Longo, sobre efeitos da operação anticorrupção Mãos Limpas. Frisou seu impacto na indústria da construção e defendeu a discussão do setor de construção no Brasil para que aqui a retomada da atividade seja segura.
Também ressaltou a importância da interação com universidades.
Carlos Eduardo Auricchio, vice-presidente do Consic e diretor titular do Departamento da Indústria da Construção da Fiesp (Deconcic), anunciou prioridade de seu
departamento nas ações de curto prazo, para a retomada do investimento em obras. Disse também que depois de seis meses consecutivos de queda, houve recuperação nas vendas de agregados em julho.
Segundo Auricchio, o Observatório da Construção , da Fiesp, gerenciado pelo Deconcic, vai lançar o hotsite Guia da Edificação Segura, com informações para conscientizar a sociedade sobre a importância do tema. Também destacou o novo marco regulatório da mineração, instituído por meio de três medidas provisórias.
Megaobra no Chile
“Oportunidades para a Indústria Brasileira na Construção do Maior Telescópio do Mundo” foi o tema da palestra do professor José Octavio Armani Paschoal. O GMT (Telescópio Gigante de Magalhães) será o primeiro de seu tipo, o de telescópios extremamente grandes. Terá altíssima resolução e será construído por um consórcio, com a participação do Brasil. Pela primeira vez a construção será feita em concreto armado, em vez de aço. Espera-se que seja criado um consórcio brasileiro para participar da construção, que, afirmou, representa um desafio gigantesco. A cúpula rotativa terá 60 metros de altura.
Sua construção, no deserto do Atacama, no Chile, a 2.500 metros de altitude, custará US$ 1 bilhão. Deverá estar concluído em 2024. A indústria brasileira vai fornecer instrumentos para o GMT.
João Steiner, do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas da USP, coordenador do Projeto GMT Fapesp e integrante do Board do GMT, explicou que após consulta à Nasa ficou estabelecido que do ponto de vista de custo/benefício seria melhor fazer a estrutura em concreto armado em vez de aço. Não há projeto detalhado nem se sabe seu custo, mas se quer saber se a indústria paulista encara o desafio.
Oliveira Lima propôs que integrantes do Consic dos diferentes segmentos se reúnam para discutir como participar do projeto do GMT.
Também integraram a mesa principal da reunião do Consic Claudio Semprine, diretor de Novos Negócios de Furnas, Renato José Giusti e Carlos Alberto Orlando, vice-presidentes do Consic. Alexandre Martins Cordeiro, superintendente executivo da Superintendência de Grandes Empresas da Construção Civil da Caixa, também compareceu ao evento.
 
 

Graciliano Toni, Agência Indusnet Fiesp