Reportagem sobre Imigração Chinesa - Valor Econômico - 28/09/2015

Primeiros imigrantes chegaram em 1812

Reportagem com grande participação do presidente da CCIBC foi veiculada hoje (28/09/2015) no Valor Econômico, no caderno espacial Brasil-China. A reportagem fala sobre a imigração chinesa para o Brasil e seus efeitos para a economia brasileira. Veja abaixo a reportagem na íntegra:

Se a China vai bem, o Brasil vai bem" "Se a China vai bem, o Brasil vai bem". É com essas palavras que o presidente da Câmara de Comércio e Indústria Brasil China, Charles Tang, resume a influência que o seu país exerce em âmbito nacional. Para ele, a parceria entre os dois povos já tem longa tradição, está definitivamente consolidada e o que se percebe, nos dias de hoje, é um novo fôlego para as relações bilaterais.

De fato, Brasil e China vêm tecendo uma história de mais de 200 anos, completados em 10 de dezembro de 2012, como lembra o adido civil da embaixada chinesa, Augusto Wang. Deste intercâmbio duradouro resultou a total assimilação de práticas e costumes. Além dos restaurantes típicos, vieram da China os fogos de artifício, a porcelana e o horóscopo chinês. Se, por um lado, as artes marciais já fazem parte da cultura nacional, não por menos a manifestação popular de tai chi chuan na praça da Harmonia Universal, praticada há mais de três décadas na Asa Norte de Brasília, foi declarada patrimônio cultural da cidade e incluída no calendário de eventos oficiais do Distrito Federal em 2007. Da mesma forma, a celebração do Ano Novo Chinês na praça da Liberdade, em São Paulo, entrou na programação municipal formal. Enquanto pequenas guloseimas como o "rolinho primavera" e o "pastel da sorte" trazem à mesa dos brasileiros um exotismo há muito incorporado, a soja, prato de resistência asiático, já ocupa 49% da área plantada em grãos do País, segundo o Ministério da Agricultura.

No campo da medicina, a influência chinesa é tampouco desprezível: cursos superiores de acupuntura vêm sendo ministrados em nível de pós graduação, em resposta à crescente aceitação dessa técnica de mais de quatro mil anos. Charles Tang conta que vai longe o tempo em que os primeiros imigrantes chegaram ao Rio de Janeiro com dificuldades de comunicação e trazendo mudas e sementes de chá. Cerca de 300 agricultores da província de Hubei, famosa pelo cultivo do chá verde, foram arregimentados pelo Governo Real Português nos idos de 1812, com o propósito de introduzir a lavoura no Brasil. Conduzidos à fazenda da família imperial, mais tarde transformada no Jardim Botânico Real, esses trabalhadores rurais não tiveram, todavia, a sorte de ver o projeto florescer. Quase um século e meio depois, seria a vez de os grandes empresários fugidos do regime de Mao Tsé Tung desembarcarem. Uma safra de homens de negócios chineses do cacife de Rong Yiren, ex vice presidente da China e fundador do Citic Group Corporation - classificado como o homem mais rico do país em 2000 - se instalou no Brasil, erguendo empreendimentos bilionários, a exemplo do Moinho Pacífico, de Lawrence Pih, uma das maiores empresas de moagem de trigo nacional.

Com a abertura da China, depois da Revolução Cultural, no final dos anos de 1970, muitos empreendedores decidiram imigrar em busca de melhores condições de vida. No Brasil, grande parte deles iniciou sua trajetória como "tibao" sacoleiro ambulante. Vendiam tecidos de seda, jóias de ouro, pedras preciosas, toalhas de mesa, miudezas. Acumularam economias e tornaram se proprietários de restaurantes, pastelarias, lavanderias, mercearias, bazares. Aos poucos, passaram a vender produtos importados da China, Taiwan, Hong Kong e Japão. É esse empreendedorismo, hoje mais sofisticado, com feições globais, que a China exporta há quase uma década ao Brasil, na forma de executivos expatriados de grandes corporações em atividade no País.

São os imigrantes chineses do novo milênio, que vem construindo o melhor momento das relações bilaterais, segundo Charles Tang. "O modelo chinês está definitivamente ancorado. Restaurante chinês é que nem Coca Cola no mercado brasileiro. Nunca vi tanta gente aprendendo a língua", afirma. De acordo com Ana Jianzhen, diretora do Instituto Confúcio PUC Rio, há oito centros para o aprendizado da língua e difusão da cultura em parceria com universidades nacionais. Companhias como Chery, a JAC Motors e a LeNovo também se tornaram marcas familiares aos brasileiros.

Link para visualizar na página do Volor ecônomico: http://www.valor.com.br/brasil/4244382/primeiros-imigrantes-chegaram-em-1812

 

Publicado por: Valor Econômico

Data: segunda-feira, 28 de Outubro, 2015.